sexta-feira, 13 de maio de 2016

A ESTRUTURA TRINITÁRIA DA TEOLOGIA DOGMATICA



O contexto é “a estrutura trinitária da teologia dogmática” que nos apresenta um questionamento, posição e definição a partir de uma visão apologética do conceito e estudo da Santíssima Trindade. Sendo o mesmo divido em: Introdução; Revelação; Jesus na perspectiva da Trindade; A Igreja e sua Eucaristia à luz da Trindade e a Antropologia na perspectiva Trinitária. Sendo esses tópicos enveredados como estudo, e não somente com dado Revelado, pois somente no período do Iluminismo (séc. XVIII) os Teólogos Católicos e protestantes tentaram coadunar sob crivo de debates argumentativos modernos (ou modernistas) “a doutrina da Trindade”. Essas celeumas entre os teólogos nos suscitaram duas vertentes: a versão protestante, apoiada na base do ‘modalismo’, isto é sobrepondo de maneira hierárquica a Trindade; e a visão católica que tende a seguir os passos da Escolástica. Fazendo-se assim um grande estudo sobre o Deus que si revela, e é o Ser fundamental da Revelação, partindo do pressuposto desta mesma que é a Encarnação do Cristo, perpassando ainda na dimensão antropológica, hermenêutica, cultural, social e pragmática da revelação enquanto manifestação do Ser Superior.               
              Ainda podemos elucubrar os conceitos do tratado da Trindade do Padre Jesuíta Karl Rahner afirma: “todos os mistérios da fé cristã podem ser definidos (reduzidos e/ou traduzidos) a três momentos: ENCARNAÇÃO, A GRAÇA E A TRINDADE”. Onde ainda completa: “toda doutrina nos levam a Deus, pois o mesmo se dignou revela-se e veio ao nosso encontro; fazendo-se homem na pessoa do CRISTO e manifestando-se-a por meio do ESPIRITO SANTO. Que se designou revelar-se na história e na pessoa do próprio filho, fazendo-se ainda revelado na dimensão espiritual ‘espírito santo’”. Ou seja, uma revelação em três categorias de um mesmo ser. Rahner, ainda nós dá alguns tópicos elementares para compreensão da Trindade. O mesmo afirma que: “a trindade não deve ser estudada apenas em si mesma, mas que nossa fé na Trindade deva lançar luz sobre todos os tratados da Trindade” fazendo uso dos chamados – trindade econômica e da economia da salvação – para uma perfeita compreensão do efeitos trinitários na Igreja e na pessoa humana. 

II. Estrutura
              O texto de estudo de John O'Donnel, nos apresenta um enunciado de questionamentos e predisposições sobre o tema “a Estrutura da Trinitária da Teologia Dogmática” fazendo-nos transcorrer no mesmo, e no sentido mais amplo, da Revelação Divina; fazendo-se ser Revelado, Revelador, Manifestado, Encarnado e sucessivamente presente na História, na vida humana e sua  em ação ‘salvífica’ na Igreja.
O mesmo ainda, nos apresenta que a Revelação é fruto dos questionamentos, dúvidas e discussões ao longo da História da Humanidade e precisamente em contextos mais profundo da fé a qual era defendida como ‘proposições’ por haverem sido reveladas por Deus (Deus havia comunicado determinadas afirmações sobre Si mesmo, que eram aceitas como verdadeiras porque Ele os havia revelado).
No contexto da atualidade, reformulou-se a tese de que é um ‘acontecimento’, pois, “ela é a ‘auto-revelação’ do próprio Deus” sendo a Revelação um acontecimento que ocorre na História, e que sua verdade funda-se na fidelidade do próprio Deus, que Se fez conhecer e que quis habitar em nosso meio, fazendo-se um entre nós. Na perspectiva da Encarnação e na efusão do Espírito Santo. Fazendo-se assim um Tratado da Trindade e a eficácia do mesmo na vida humana nas suas ações colaborativas dentro da Igreja e nos Sacramentos, como é o caso da Eucaristia dentro do processo antropológico da dignidade humana.

III. Tese defendida
             Os teólogos Barth e Rahner, debruçam-se sobre a temática da Revelação Trinitária partindo de três pressupostos: Deus quer se manifestar e auto comunicar-se; a Encarnação de Jesus e por sequência a efusão do Espírito Santo. Portanto, o Ser (Trindade) revelado, por meio do Mistério da Encarnação e da Graça nos conduzem à vida divina, ao fato de que Deus em si mesmo é Pai, Filho e Espírito Santo. Vemos ainda que Jesus fez unicamente e somente a vontade do Pai, tal e qual O mesmo havia designado. Por isso, Jesus não é apenas o filho, é também o servo ungido pelo espírito para anunciar a Boa Nova do Reino de Deus. O mesmo ‘servo que não veio para ser servido, mas sim para servir e dar sua vida em resgate de muitos’(Mc10,45), fazendo tudo em união com o Pai e o com o Espírito Santo que lhe foi manifestado de forma plena no ato do Batismo, demonstrando assim a total unidade entre os ‘seres’ divinos que é, e  são distintos e ao mesmo tempo sendo Trino, donde trabalham em total unidade (Deus cria; Cristo salva e o Espírito Santo santifica), para compreensão da Revelação e colaboração humana .
              O pai manda o filho para redimir-nos  do pecado e não o poupa de compartilhar o nosso destino, em prol da adesão humana no plano salvífico, fazendo-se esse compreender, o mistério insondável do ser revelado que se faz conhecido , fazendo-se agir na igreja ao qual é a cabeça; com o espírito que é o vinculo de união entre pai e filho e membros (nós povo de Deus). Pois a igreja é a pessoa de Cristo, mas Cristo compreendido no sentido pleno do corpo e membros. Ao qual ainda se perpetua na eucaristia que acontece de forma trina.  Em prol da salvação da humanidade redimida.  

IV. Argumentação
            Para delinear uma compreensão perfeita, os autores destacam ainda mais a importância do “Fiat” na encarnação e cooperação humana (cooperação de Maria no plano da Revelação encarnada), ao longo do processo Revelador. “Segundo uma perspectiva Cristológica, Cristo é aquele que age na Eucaristia, mas ao mesmo tempo não devemos nos esquecer de que o Cristo que age na Eucaristia é o Cristo Ressuscitado, o Cristo Pneumático e o Cristo presente a nós no espírito. Graças à presença do Espírito Santo, a Eucaristia não é apenas lembrança de um acontecimento passado, mas também uma realidade atual”. Sendo então, presente e atuante na vida do homem redimido em consonância com a ação da Igreja; que é donde o Espírito Santo santifica a comunidade “povo, templo” em unidade Trina Revelada, no qual o Cristo é o Alfa e o Ômega onde toda e qualquer criação procede de Deus e retorna para Ele.
              Portando Cristo, tende à missão de entregar ao Pai uma humanidade redimida, que por um lado, como criaturas, são dependentes de Deus, que recebem Seu Ser d’Ele. Por outro, já que Deus realmente compartilha o Seu Ser com eles, eles são autônomos. Pois assim Deus quer e realmente manifesta isso deixando todos os seres humanos terem uma autonomia e uma dependência do seu ser.  Donde o ser compreendendo esse amor revelado, possa vivenciá-lo como diz são Paulo em “oferta do nosso corpo enquanto sacrifício vivo, santo e agradável a Deus. Fazendo do mesmo o nosso culto espiritual” (Rm 5,5) em busca de uma perfeita redenção já que ainda não somos plenamente redimidos ainda.   
V. Apreciação
A meu ver o texto é bem contunde e esclarecedor, o mesmo por deveras nos proporciona uma compreensão clara e algumas vezes nos faz transportar para o pensamento do autor ao tentar obter as respostas dos teólogos Karl Barth e Karl Rahner, fazendo assim, compreender os desígnios da Revelação de Deus enquanto Pai, Filho e Espírito Santo, no tempo e espaço da vida humana, no contexto pragmático da sua atuação trinitária, na vida do homem redimido e sua total atuação na Igreja, com a Igreja e pela Igreja no sentido eucarístico e antropológico do agir no transcurso da vivencia humana.  

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