O contexto é “a estrutura trinitária da teologia
dogmática” que nos apresenta um questionamento, posição e definição a partir de
uma visão apologética do conceito e estudo da Santíssima Trindade. Sendo o
mesmo divido em: Introdução; Revelação; Jesus na perspectiva da Trindade; A
Igreja e sua Eucaristia à luz da Trindade e a Antropologia na perspectiva
Trinitária. Sendo esses tópicos enveredados como estudo, e não somente com dado
Revelado, pois somente no período do Iluminismo (séc. XVIII) os Teólogos
Católicos e protestantes tentaram coadunar sob crivo de debates argumentativos
modernos (ou modernistas) “a doutrina da Trindade”. Essas celeumas entre os teólogos
nos suscitaram duas vertentes: a versão protestante, apoiada na base do
‘modalismo’, isto é sobrepondo de maneira hierárquica a Trindade; e a visão
católica que tende a seguir os passos da Escolástica. Fazendo-se assim um
grande estudo sobre o Deus que si revela, e é o Ser fundamental da Revelação,
partindo do pressuposto desta mesma que é a Encarnação do Cristo, perpassando
ainda na dimensão antropológica, hermenêutica, cultural, social e pragmática da
revelação enquanto manifestação do Ser Superior.
Ainda
podemos elucubrar os conceitos do tratado da Trindade do Padre Jesuíta Karl
Rahner afirma: “todos os mistérios da fé cristã podem ser definidos (reduzidos
e/ou traduzidos) a três momentos: ENCARNAÇÃO, A GRAÇA E A TRINDADE”. Onde ainda
completa: “toda doutrina nos levam a Deus, pois o mesmo se dignou revela-se e
veio ao nosso encontro; fazendo-se homem na pessoa do CRISTO e
manifestando-se-a por meio do ESPIRITO SANTO. Que se designou revelar-se na
história e na pessoa do próprio filho, fazendo-se ainda revelado na dimensão
espiritual ‘espírito santo’”. Ou seja, uma revelação em três categorias de um
mesmo ser. Rahner, ainda nós dá alguns tópicos elementares para compreensão da
Trindade. O mesmo afirma que: “a trindade não deve ser estudada apenas em si
mesma, mas que nossa fé na Trindade deva lançar luz sobre todos os tratados da
Trindade” fazendo uso dos chamados – trindade econômica e da economia da
salvação – para uma perfeita compreensão do efeitos trinitários na Igreja e na
pessoa humana.
II. Estrutura
O
texto de estudo de John O'Donnel, nos apresenta um enunciado de questionamentos e predisposições
sobre o tema “a Estrutura da Trinitária da Teologia Dogmática” fazendo-nos
transcorrer no mesmo, e no sentido mais amplo, da Revelação Divina; fazendo-se
ser Revelado, Revelador, Manifestado, Encarnado e sucessivamente presente na História,
na vida humana e sua em ação ‘salvífica’
na Igreja.
O mesmo
ainda, nos apresenta que a Revelação
é fruto dos questionamentos, dúvidas e discussões ao longo da História da
Humanidade e precisamente em contextos mais profundo da fé a qual era defendida
como ‘proposições’ por haverem sido reveladas por Deus (Deus havia comunicado
determinadas afirmações sobre Si mesmo, que eram aceitas como verdadeiras
porque Ele os havia revelado).
No contexto da
atualidade, reformulou-se a tese de que é um ‘acontecimento’, pois, “ela é a ‘auto-revelação’
do próprio Deus” sendo a Revelação um acontecimento que ocorre na História, e
que sua verdade funda-se na fidelidade do próprio Deus, que Se fez conhecer e
que quis habitar em nosso meio, fazendo-se um entre nós. Na perspectiva da
Encarnação e na efusão do Espírito Santo. Fazendo-se assim um Tratado da Trindade
e a eficácia do mesmo na vida humana nas suas ações colaborativas dentro da Igreja
e nos Sacramentos, como é o caso da Eucaristia dentro do processo antropológico
da dignidade humana.
III. Tese defendida
Os teólogos Barth e Rahner, debruçam-se
sobre a temática da Revelação Trinitária partindo de três pressupostos: Deus
quer se manifestar e auto comunicar-se; a Encarnação de Jesus e por sequência a
efusão do Espírito Santo. Portanto, o Ser (Trindade) revelado, por meio do
Mistério da Encarnação e da Graça nos conduzem à vida divina, ao fato de que
Deus em si mesmo é Pai, Filho e Espírito Santo. Vemos ainda que Jesus fez
unicamente e somente a vontade do Pai, tal e qual O mesmo havia designado. Por
isso, Jesus não é apenas o filho, é também o servo ungido pelo espírito para
anunciar a Boa Nova do Reino de Deus. O mesmo ‘servo que não veio para ser
servido, mas sim para servir e dar sua vida em resgate de muitos’(Mc10,45),
fazendo tudo em união com o Pai e o com o Espírito Santo que lhe foi manifestado
de forma plena no ato do Batismo, demonstrando assim a total unidade entre os ‘seres’
divinos que é, e são distintos e ao
mesmo tempo sendo Trino, donde trabalham em total unidade (Deus cria; Cristo
salva e o Espírito Santo santifica), para compreensão da Revelação e
colaboração humana .
O pai manda o filho para redimir-nos do pecado e não o poupa de compartilhar o
nosso destino, em prol da adesão humana no plano salvífico, fazendo-se esse
compreender, o mistério insondável do ser revelado que se faz conhecido ,
fazendo-se agir na igreja ao qual é a cabeça; com o espírito que é o vinculo de
união entre pai e filho e membros (nós povo de Deus). Pois a igreja é a pessoa
de Cristo, mas Cristo compreendido no sentido pleno do corpo e membros. Ao qual
ainda se perpetua na eucaristia que acontece de forma trina. Em prol da salvação da humanidade redimida.
IV. Argumentação
Para
delinear uma compreensão perfeita, os autores destacam ainda mais a importância
do “Fiat” na encarnação e cooperação
humana (cooperação de Maria no plano da Revelação encarnada), ao longo do
processo Revelador. “Segundo uma perspectiva Cristológica, Cristo é aquele que
age na Eucaristia, mas ao mesmo tempo não devemos nos esquecer de que o Cristo
que age na Eucaristia é o Cristo Ressuscitado, o Cristo Pneumático e o Cristo
presente a nós no espírito. Graças à presença do Espírito Santo, a Eucaristia
não é apenas lembrança de um acontecimento passado, mas também uma realidade
atual”. Sendo então, presente e atuante na vida do homem redimido em
consonância com a ação da Igreja; que é donde o Espírito Santo santifica a
comunidade “povo, templo” em unidade Trina Revelada, no qual o Cristo é o Alfa
e o Ômega onde toda e qualquer criação procede de Deus e retorna para Ele.
Portando
Cristo, tende à missão de entregar ao Pai uma humanidade redimida, que por um
lado, como criaturas, são dependentes de Deus, que recebem Seu Ser d’Ele. Por
outro, já que Deus realmente compartilha o Seu Ser com eles, eles são
autônomos. Pois assim Deus quer e realmente manifesta isso deixando todos os
seres humanos terem uma autonomia e uma dependência do seu ser. Donde o ser compreendendo esse amor revelado,
possa vivenciá-lo como diz são Paulo em “oferta do nosso corpo enquanto
sacrifício vivo, santo e agradável a Deus. Fazendo do mesmo o nosso culto
espiritual” (Rm 5,5) em busca de uma perfeita redenção já que ainda não somos
plenamente redimidos ainda.
V. Apreciação
A meu ver o texto é bem contunde e
esclarecedor, o mesmo por deveras nos proporciona uma compreensão clara e
algumas vezes nos faz transportar para o pensamento do autor ao tentar obter as
respostas dos teólogos Karl Barth e Karl Rahner, fazendo assim, compreender os
desígnios da Revelação de Deus enquanto Pai, Filho e Espírito Santo, no tempo e
espaço da vida humana, no contexto pragmático da sua atuação trinitária, na
vida do homem redimido e sua total atuação na Igreja, com a Igreja e pela Igreja
no sentido eucarístico e antropológico do agir no transcurso da vivencia
humana.
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